• By Marco Antonio Presidente da TigerLog
  • julho 13, 2025
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Você se lembra dessas Transportadoras?

Você se lembra dessas Transportadoras? Pois é, elas não existem mais. Mas, enquanto existiram, representavam verdadeiros modelos de gestão, e serviram como inspiração para muitas outras Transportadoras no Brasil. Inclusive, muitos profissionais que atuaram nessas empresas acabaram montando suas próprias Transportadoras, muitas delas ainda em atuação no mercado. E muitos executivos sêniores do mercado, atualmente na faixa dos 40 a 65 anos, desenvolveram sua carreira em uma dessas Transportadoras.

Esse mercado sempre foi muito dinâmico, mas sua “volatilidade” vem aumentando ano após ano. O saldo entre natalidade e mortalidade de Transportadoras sempre foi positivo, porém, a partir de 2015, com a crise econômica gerada pela Governo Dilma, o IBGE comecou a detectar uma perda significativa de Transportadoras, que foi agravada pelo Covid-19 e pela guerra entre Rússia e Ucrânia; entre 2016 e 2022, a Pesquisa Anual de Serviços (PAS), produzida pelo IBGE, apontou a perda de mais de 21.500 Transportadoras no Brasil.

Há alguns anos, um importante alerta foi sinalizado, quando famílias representativas e pioneiras no transporte de cargas resolveram deixar seus negócios, tais como Expresso Mercúrio (Fração), Atlas Transportes (Megale), Expresso Jundiaí (Panzan), Transportadora Americana (Panzan e Luchiari). Translovato (Lovato), Expresso Araçatuba (Dias de Castro), Rapidão Cometa (Pereira), Plimor (Bortoncello) etc. Esses empresários, profundos conhecedores do mercado, já não enxergavam um cenário positivo adiante, e sabiamente venderam seus negócios a outras empresas. Outros, também tradicionais, ainda resistem bravamente como Braspress, Patrus, Rodonaves, Jamef, JSL, Tegma dentre outras, que cometerei a injustiça de não citar.

Muitas são as causas por detrás da “quebra” dessas empresas; o ideal seria podermos analisar caso a caso, mas na prática, isso se torna impossível.

Algumas delas não souberam lidar com a sucessão; segundas ou até terceiras gerações, mal preparadas, arruinaram o negócio. Brigas entre sócios também resultaram no enfraquecimento das empresas, e aceleraram o processo de deterioração.

Outras sucumbiram diante da falta de um planejamento estratégico. A música do Zeca Pagodinho traduz claramente essa triste realidade: “Deixa a vida me levar, vida leva eu…”. A dinâmica do mercado não perdoa as falhas de seus Executivos. Seis forças motrizes agem sobre o mercado, e as Transportadoras precisam ter respostas efetivas para cada uma delas. Vale lembrar quais são as seis forças motrizes: econômica, social, política, tecnológica, meio ambiente e legal (legislação).

Problemas relacionados a falta de uma estratégia comercial, falhas no custeio, má formação de preços, dificuldades na retenção de pessoal, passivos jurídicos representativos, alta incidência de avarias/furtos/extravios, baixa aplicação tecnológica, falta de processos formalizados, alongamento dos prazos de pagamento dos fretes, BIDs em excesso, inadimplência e outros desperdícios e retrabalhos diversos etc. impactam na rentabilidade e no fluxo de caixa das empresas e comprometem a sua longevidade.

Atuar nesse mercado exige estratégias objetivas e eficazes, especialmente no campo Comercial e Operacional, que devem ser revisadas continuamente. Demanda profundo entendimento dos custos fixos, custos variáveis e das despesas operacionais; lembre-se da DRE – Demonstração do Resultado do Exercício. Exige sábias e competitivas ações para a atração e retenção de talentos, portanto, reforce a atuação de seu setor de RH. Liderança técnica e comportamental são vitais, junto ao Corporativo e Filiais, portanto, valorize seus Supervisores, Coordenadores e Gerentes. Cercar-se de bons parceiros é também fundamental; concentre-se naquilo em que você é muito bom; nas outras, desenvolva boas e confiáveis alianças.

E, para concluirmos, certifique-se de que não é mais possível adiar investimentos em tecnologia: muitos empresários do setor não hesitam em investir R$ 1.500.000,00 em um conjunto cavalo e carreta, mas torcem o nariz quando precisam gastar R$ 250.000,00 em uma nova tecnologia. Isso terá que ser revisto. Torres de Controle 4.0 e 5.0 conseguirão administrar, efetivamente, 40-50 conjuntos para cada dupla AnalistaxAssistente, enquanto que métodos manuais não chegarão a “gerenciar” mais do que 10-15 conjuntos. Quem não dispuser de tecnologia, naturalmente perderá a competitividade no mercado.

Sucesso a todos vocês que trilham essa complexa e desafiadora jornada.

Contem com a Tigerlog, consultoria e treinamento em logística, desde 2003 atuando junto a Transportadoras e Operadores Logísticos.

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