• By Marco Antonio Presidente da TigerLog
  • dezembro 3, 2025
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O Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) encontra-se em um beco sem saída. E agora?

O motorista é o verdadeiro protagonista do transporte rodoviário de cargas, porém, não é verdadeiramente reconhecido por isso. Muitos estão deixando a profissão, buscando seu sustento dentro do próprio transporte de cargas em operações de última milha, em rotas de curto alcance, que permitem uma melhor qualidade de vida e ganhos mais previsíveis devido à demanda do comércio eletrônico. Outros migraram para os aplicativos de transportes de passageiros, alegando melhores rendimentos e maior controle sobre a rotina pessoal diária. E uma outra parcela simplesmente resolveu se dedicar a novas atividades.

Aqueles que ainda resistem heroicamente, convivem com uma rotina precária; dormem e se alimentam mal, sofrem com o descaso no locais de coleta e entrega, estão expostos a riscos diversos nas estradas e se submetem a jornadas extenuantes, permanecendo muitos dias distantes de casa e da família para assegurar uma remuneração adequada.

Obviamente que a questão salarial é relevante, mas, muitas empresas, em muitos países, têm elevado os ganhos diretos e indiretos dos motoristas, sem relatar a contrapartida no aumento da procura e no preenchimento das vagas existentes.

Há ainda uma questão pouco abordada no meio, e que está relacionada ao uso intensivo de tecnologias embarcadas nos caminhões. Soluções como telemetria (associada ao IA), GPS e outros dispositivos de controle estão se transformando em fatores impeditivos por parte dos motoristas, que sentem “sufocados” pela parafernália tecnológica, que aponta erros, más intenções, deficiências técnicas e outras posturas, muitas vezes enraizadas na profissão.

A escassez de motoristas deverá aumentar a cada ano, sem a reposição necessária, e isso se tornará evidente nos demonstrativos financeiros das empresas. As Transportadoras serão impactadas em sua receita e em seus custos e despesas, e isso, obviamente será repassado para os Embarcadores, que arcarão com fretes substancialmente maiores.

Soluções de curto prazo? Nenhuma! Estamos realmente em um beco sem saída, que é resultado de uma continua desvalorização da profissão de motorista, patrocinada pelas Transportadoras e por seus Clientes. A conta está chegando e é muito salgada. Talvez devesse dizer “muito apimentada!”

Veículos autônomos, drones, operações realizadas remotamente etc. deverão se tornar uma realidade na metade da próxima década no Brasil. Até lá testemunharemos a perda de motoristas e as suas consequências desastrosas para o Brasil!

Ainda não desenvolvemos uma tecnologia que desintegra, transporta e reintegra a matéria como assistimos nos filmes, portanto continuaremos dependentes de motoristas.

Não há muito o que fazer! A elevação dos salários e a ampliação dos benefícios talvez não produza o resultado desejado. Isso já tem ocorrido em outras profissões, em diversos setores da economia. A geração Z tem desafiado os modelos atuais de gestão e a geração Alfa deverá contribuir definitivamente para o desmoronamento dos padrões e paradigmas vigentes.

O RH está em apuros e não sabe o que fazer. As soluções passadas não repercutem positivamente; remédios tradicionais perderam os seus efeitos. O convencional blá blá blá que enriqueceu muita gente com livros, cursos e sessões de coaching e mentoria já não fazem mais sentido.

Se você tiver uma solução viável (ou mágica) para isso, comercialize-a e fique milionário. Talvez bilionário! Está muito difícil enxergar uma luz no final do túnel.

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